09 setembro 2010

Brouwerij De Ranke - Parte 1



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Na última semana aportaram em terras brasileiras seis novas cervejas. Tratam-se de produções da Brouwerij De Ranke, uma cervejaria belga relativamente nova. Dos seis rótulos, provei três, sobre os quais comento abaixo. A descrição das cervejas foi extraída do release enviado pela importadora.

XX BITTER
A XX Bitter é feita com malte pale pilsner e muitas flores de lúpulo Brewery Gold e de Hallertau. Como o próprio nome sugere, essa é uma cerveja pesada, feita para ter um sabor forte de lúpulo e um amargor agressivo. Alguns dizem que a XX Bitter carrega todas as características da trapista Orval, multiplicadas por 11. E é exatamente isso que os brewers procuravam quando criaram a receita da XX Bitter. Esse rótulo se tornou uma referência e impulsionou a atual volta dos rótulos “lupulados” na Bélgica.
6,2% ABV
Aparência: Amarelo escuro, turva, com boa formação e duração de espuma.
Aroma: Cítrico, coentro, lúpulo intenso. Lembra o lúpulo de Poperinge.
Paladar: Leve doce, frutado, cítrico, coentro, amargor do lúpulo ao final bem balanceado.

KRIEK DE RANKE
A Kriek De Ranke é uma cerveja explêndida: seca, frutada, vermelho-rubi e delicadamente adocicada. É refrescante, mas, ao mesmo tempo, complexa o bastante para impressionar o mais exigente dos connoisseurs. Esse rótulo pode perfeitamente ser a melhor Kriek da Bélgica. E é certamente a mais rara, pois somente 1500 garrafas são feitas todos os anos.
Fato curioso: O surgimento da Kriek De Ranke rende uma história interessante. Tudo começou na época em que Nino e Guido (fundadores da De Ranke) faziam uma cerveja normal para um pub local. A cerveja era clara, amber pale ale, com 6,5% vol. e não havia nem sombra do sabor amargo de lúpulo que é marca registrada da cervejaria. Essa pale ale era fermentada por levedura emprestada da cervejaria Rodenbach, incluindo um tipo de levedura selvagem que normalmente é encontrada nas cervejas lambic tradicionais.
Sem o lúpulo para segurar a levedura selvagem, a cerveja rapidamente começou a azedar e os clientes do pub deixaram de consumi-la. Nino e Guido acabaram ficando com mais ou menos meio tanque do líquido, que continuou re-fermentando e ficando ainda mais azedo.
Os mestres-cervejeiros decidiram então seguir um antigo ditado: “when life gives you sour beer, make it Kriek” (“se a vida te dá cerveja azeda, que seja Kriek” – em flamenco, „kriek quer dizer cereja azeda). Até então, o modelo de Kriek que a dupla tinha em mente era a frutada Oud Kriekenbier, da Crombé brewery. Uma das preferidas dos conoisseurs.
7% ABV
Aparência: Vermelha, turva, com pouca formação de espuma.
Aroma: Cerveja, adocicado, com um “azedo” interessante.
Paladar: Cereja potente, com dulçor moderado, assim como o azedo e o acético. Notas de Madeira e baunilha.
Ótima cerveja!
CUVÉE DE RANKE
Essa cerveja é na verdade a base para a produção da Kriek De Ranke, mas engarrafada antes da mistura com as cerejas. É uma combinação da cerveja fermentada com a levedura selvagem da Rodenbach e a Giardin Lambic envelhecida. Isso faz da Cuvée De Ranke um rótulo azedo e lupulado. Uma cerveja elegante e, ao mesmo tempo, rústica, no melhor estilo antigo, que agora volta à moda na Bélgica e no resto do mundo.
Fato curioso: de acordo com o governo belga, a Cuvée De Ranke poderia ser chamada de “lambic” porque, apesar de não ter o sabor azedo tão acentuado, a cerveja contém mais de 5 vezes a quantidade de lambic de alguns rótulos comerciais que se auto-intitulam lambics. Mas, ao contrário destes, a De Ranke tem um grande respeito pelos produtores das verdadeiras lambics e preferiu não colocar o termo no nome da sua Cuvée.
7% ABV
Aparência: Amarelo claro, turva, pouca formação de espuma.
Aroma: Ácido acético moderado, brettanomyces, leve frutado, algo de couro.
Paladar: Acidez balanceada, leve frutado, algo de vinho branco, leve doce, azedo balanceado.
Ótima cerveja!

5 comentários:

Rodrigo disse...

Edu, belo post! Fiquei com água na boca. Onde poderemos encontrar essas belezinhas??

Um abraço!

Rodrigo

Edu Passarelli disse...

Olá Rodrigo, tudo bem!?

Em São Paulo sei que tem no Melograno e no Empório Alto dos Pinheiros.

Abraço

Edu

São Tomé disse...

Muito bacana, Edu!

Quem está importando para vocês?
Pois no Rio nunca as encontrei!

[]s,

Daniel Caruso
ACervA Carioca

Anônimo disse...

Quem traz é a Calabar.
www.calabar.com.br

Edu Passarelli disse...

Isso ai, Daniel. A resposta acima está correta. Trata-se de uma nova importadora, que em breve deve expandir suas vendas.

Um abraço